Manifesto qubo v2 Pular para o texto do manifesto
Manifesto

Manifesto qubo

A primeira parte da página é uma experiência visual guiada pela rolagem. O texto integral do manifesto e as seis raízes estão logo depois dela.

Manifesto qubo · texto integral

Manifesto

Sete estrofes de catorze versos, numa página só.

I · Forma

Primeiro não há nome: há forma,e toda forma quer lugar.O ponto cresce e se transformaem linha, em plano, em corpo, em ar.Largura, comprimento, altura:três números — uma estrutura.Com dois se vê; com três se tema sombra, o peso — e mais alguém.O cubo — a casa da medida:seis faces, uma delas, chão,e as outras cinco, a tua mão;e cabe nele a nossa vida.Daqui partimos: do talvezao um, ao dois — enfim, ao três.

II · Potência

Ao cubo — e chama-se potência:o que era dez se torna mil.Um palmo a mais é, por essência,volume imenso, não sutil.Toda equação de grau terceiro— lição de mestre e de herdeiro —não fica nunca sem raiz;nem nós: viemos da matriz.Meu pai plantou uma semente;eu vim, e ao cubo a elevei:não reneguei, multipliquei —e o que era um hoje é muita gente.Eis nossa conta, meu freguês:o zelo à potência de três.

III · Metro

Chamamos metro ao próprio versoe metro à fita de medir;ao cubo, o metro é universo:o espaço exato de existir.Num metro cúbico, uma tarde,a sombra, o sol que já não arde,um corpo, um livro, um copo, um chá,a espera de quem chegará.Cúbico é ver de todo lado:a frente, o verso, o fundo, o pé;o desenhista gira atéque a peça mostre o seu cuidado.Cubistas, muito antes de nós,fizeram disso a sua voz.

IV · Oficina

Cresci no pó de uma oficina,entre a serragem e o verniz,e o que meu pai fazia ensinaàs mãos de um menino aprendiz.Mas hoje a qubo faz seus onze —e não se funde a gente em bronze:legado é verbo: é o motor,e não retrato em corredor.Dois mil e quinze. A velha casacumpria trinta e cinco; e eu,o filho, abri um cubo meuno meio dela — e extravasa.Eis de onde eu venho: de uma mãoque ainda me empresta o próprio chão.

V · Mãos

Um só, no início, desenhava;são trinta agora — e serão mais;e cada mão que se somavatrazia ao cubo os seus sinais.De trama, metal e madeira,nasceu bem mais que uma cadeira:um jeito novo de sentar,de receber, de conversar.O ícone nasce do talentoe sobrevive ao que passou;é o que o filho do filho herdou:legado vivo, em movimento.A mesa é longa, e quem vierse senta; assina quem souber.

VI · Casa

Fomos revista; fomos feira:a foto que alguém recortou,a luz do estande a noite inteira,e alguém que sentou — e ficou.E, por detrás, minha família,que senta na própria mobília:o pai, o irmão — e quem virá;a casa foi, e é, e será.E tu, leitor, que lês agora:não compras móvel — compras lar,e um tempo lento de habitardo lado de dentro — e de fora.Onde estou? Aqui, entre nós:no almoço longo dos avós.

VII · Três

Quiçá — eu disse um dia, e digo —Uma maneira de juntar,Bricolagem que vira abrigo,Oportunidade e lugar.Já disse: feito por humano;já disse: social, urbano;que a vida é desenhável — e é;e cada lema, um passo a pé.Pra onde eu vou? Pra tua varanda,pro teu jardim, pro teu quintal,pra mesa posta e, afinal,pra dentro da mesma ciranda.Não somos dois, leitor — tu vês:eu, tu e a peça: somos três.

Valores · a origem do nome

As seis raízes

O manifesto parte de seis definições, e cada uma vira estrofe ou verso. Juntas, dão à qubo uma origem que é ao mesmo tempo matemática, espacial e poética.

  1. 01

    O cubo

    O sólido de arestas iguais nas três direções: seis faces, doze arestas, oito vértices. Quando ele está no mundo, uma das seis faces é sempre o chão.

    6 faces · 12 arestas · 8 vértices

    Estrofe I · Forma
  2. 02

    O três

    Com uma dimensão existe a linha; com duas, o desenho; com três, o corpo. Três é o mínimo para que uma coisa possa ser habitada, tocada e fazer sombra.

    linha · desenho · corpo

    Estrofes I e VII
  3. 03

    Elevar ao cubo

    Multiplicar um número por si mesmo três vezes: 2 vira 8, 10 vira 1.000. Quando a aresta cresce um pouco, o volume cresce muito. É a matemática da potência.

    2³ = 8 · 10³ = 1.000

    Estrofe II · Potência
  4. 04

    A equação cúbica

    Toda equação de terceiro grau com coeficientes reais tem pelo menos uma raiz real. Não existe cúbica sem raiz — e é aí que a geometria encontra a herança.

    ax³ + bx² + cx + d = 0

    Estrofe II · Potência
  5. 05

    O metro cúbico

    Um cubo de um metro de lado: mil litros de espaço. É a cubagem com que a fábrica calcula o frete. E metro, em poesia, é o nome do verso medido.

    1 m³ = 1.000 litros

    Estrofe III · Metro
  6. 06

    O cúbico

    O cubismo de Picasso e Braque ensinou a ver um objeto de todos os lados ao mesmo tempo. É o que o designer faz antes de desenhar uma cadeira.

    frente · verso · fundo · pé

    Estrofe III · Metro

Ficha desta versão · v2

As peças no passeio

Poltrona Verga

OQ DA CASA · 920 × 878 × 800 mm

Modelo 3D da fonte, sem redesenho. Cabe no metro cúbico. Está nas estrofes I, III, IV, V, VI e VII.

Paralelo · cadeira

CAOQ01 · 620 × 642 × 809 mm

Modelo de projeto. A fonte não traz materiais: ler os tubos como metal e os braços como madeira é escolha desta versão, a validar. A trama existe na fonte só como amostra e entra assim. Estrofe V.

Paralelo · mesa lateral

MLOQ01 · 400 × 355 × 500 mm

Estudo com escala deduzida do arquivo (×10), QA pendente. Estrofes V e VI.

Medidas em largura × profundidade × altura. Acabamentos e cores das peças são ilustrativos, a validar. Mesas de jantar, cadeiras de mesa e figuras humanas são maquete neutra, não peças da qubo. As páginas de revista da estrofe VI usam fotos e renders do acervo. Trilha: “three steps toward dawn” e “the slow turn of morning”, em sequência, no botão Som.